Ministro Edson Fachin falou na abertura de evento realizado no Museu do Amanhã (RJ)
Ministro Edson Fachin falou na abertura de evento realizado no Museu do Amanhã (RJ)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu que a Justiça do futuro deve estar fundamentada na fraternidade, na dignidade humana e na responsabilidade compartilhada diante dos desafios tecnológicos e ambientais do século XXI. A declaração foi feita na abertura do seminário “A Justiça do Amanhã”, realizado nesta sexta-feira (19) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
Primeiro palestrante do evento, Fachin participou do encontro que reúne representantes do sistema de justiça, especialistas, acadêmicos e integrantes da sociedade civil para debater os desafios contemporâneos do Judiciário e o fortalecimento das instituições democráticas.
Fachin afirmou que a Justiça não é objetivo concluído, mas um processo contínuo de aperfeiçoamento. Segundo ele, cada geração recebe um legado, corrige imperfeições, amplia direitos e enfrenta novos desafios, deixando para as gerações seguintes a tarefa ainda inacabada.
O ministro ressaltou que o futuro é construído no presente e que é preciso agir com urgência, mas também com prudência. “Algumas tarefas não podem esperar, mas nenhuma transformação duradoura nasce da pressa desordenada”, ponderou. Para ele, essa é uma das lições transmitidas pelo Museu do Amanhã: “O amanhã é uma responsabilidade do presente”, pontuou.
Um dos principais eixos da palestra foi a defesa da fraternidade como fundamento ético da Justiça do futuro. Segundo Fachin, liberdade e igualdade devem caminhar ao lado do reconhecimento da dignidade humana e da capacidade de enxergar o outro sem transformá-lo em ameaça.
De acordo com o presidente do STF, a Justiça do século XXI deve combinar firmeza na aplicação da lei com escuta, compreensão e sensibilidade diante das vulnerabilidades humanas.
Ao abordar os impactos da revolução tecnológica, especialmente da inteligência artificial, o ministro reconheceu o potencial das novas ferramentas para aumentar a eficiência do Judiciário, automatizar tarefas e acelerar procedimentos. Porém, alertou que a tecnologia não é capaz de reproduzir prudência, empatia, responsabilidade moral, discernimento e sensibilidade diante das particularidades de cada caso.
Fachin também chamou atenção para os desafios da desinformação, da manipulação de conteúdos digitais, da privacidade e da proteção de dados pessoais. Segundo ele, o enfrentamento dessas questões exige responsabilidade das plataformas digitais, ação legislativa, compromisso da imprensa, participação da academia e envolvimento da sociedade civil. “Proteger a dignidade humana no século XXI significa também proteger a integridade dos dados pessoais”, ressaltou.
Outro tema abordado foi a emergência climática. O ministro afirmou que a crise ambiental deve ser compreendida não apenas como um problema técnico, mas também ético, político, econômico e jurídico. Ele observou que tribunais de todo o mundo já analisam demandas relacionadas à proteção ambiental, aos direitos dos povos indígenas, às mudanças climáticas e à responsabilidade de empresas e governos.
Fachin salientou que a Justiça do futuro precisará considerar interesses das futuras gerações, reconhecer responsabilidades compartilhadas e compreender que a proteção da vida exige uma visão mais ampla do que aquela herdada dos séculos anteriores.
Ao encerrar a palestra, o ministro advertiu que o maior desafio do século XXI não será apenas tecnológico, mas ético, pois nenhuma inovação tecnológica, transformação institucional, evolução normativa ou avanço científico “terão verdadeiro sentido se perdermos de vista a pessoa humana”. Na opinião dele, o futuro da Justiça dependerá menos das máquinas e mais dos valores que a sociedade escolher preservar.
O encontro é uma iniciativa conjunta da República.org, do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) e do Museu do Amanhã. A programação aborda temas como eficiência, integridade, pluralidade, inovação institucional e o papel das lideranças públicas na construção de um Estado mais transparente, democrático e comprometido com os direitos fundamentais.
Confira a íntegra da palestra.
(Edilene Cordeiro//JP)
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Fonte: Portal de Notícias do STF
